20 agosto 2006

"Zugswang", de Vítor Silva

Ante a pávida corte, o rei trovador faz a sua muda: xeque à rainha branca.
– «Senhor fremosa e do muj loução / coraçon», que levais nessa abada?
(Os cortesãos suspendem a respiração.)
– São rosas, Senhor são rosas!
– Cavaleiros, bispos e castelões teimam que é pão para peões.
Abre-se o regaço. (O cortês público ovaciona eufórico, clama milagre.) Perde o poeta o pé. Ai! Pica-se nos espinhos do ludíbrio da razão, do logro da coerência.
Fora outro o conteúdo do avental, baniria Denis (gr. Diónysus) a santa e real consorte?
Xeque-mate!